sexta-feira, fevereiro 06, 2004

Tudo bem? Tudo. Tudo bem. Tudo bem encaixado nesse macrocÛsmico universo de significados existente num reles tudo bem. De alguma forma esse misto de sensaÁıes se traduz em confus„o. Mas o quÍ?, È confuso ser humano. E se eu digo que est· tudo bem, est· tudo bem. Ainda que a compreens„o do estado de espÌrito abrigada pelo tudo bem seja inatingÌvel mesmo para mim mesmo. No tudo bem eu trancafio meu sorriso e minhas l·grimas juntos, para que se debatam atÈ estar tudo realmente bem.



É uma pena, mas você não vale a pena. Eu não sei dizer se penso assim. Tentei, juro, me convencer de que seria mesmo talvez melhor não. E me vejo em outra noite vazia entoando réquiens bobos e melosos. Mas se o seu sorriso me chama de neném, eu sou uma criança, a sua criança.

Você se fascina com Clarice, de pé às cinco, escrevendo para Olga. Sem a mínima pretensão de ser Clarice, mas acho que é essa a prisão do poeta. Eu precisava desesperadamente dessa madrugada de sono. Dessa e de tantas outras. Mas depois de ter você, poetas para quê?

As palavras é que me assombram no leito molhado. E me assombram as canções de amor, todas elas minhas. Todas as vozes, fantasmas da minha insônia. Porque uma noite sem você é muito tempo. Uma vida com você é muito pouco.

Pra que então tentar dizer o que não pode ser dito? Aquilo que ambos sabemos existir, mas nem nós mesmos conseguimos alcançar? Porque a indizibilidade vai além de onde reside o impasse. E não somos mais, ou menos, nas tentativas de dizer algo. Porém faz com que as coisas se expliquem melhor. Mesmo que a sentença mais longa proferida tenha sido um olhar.

Imagine o quanto teríamos perdido se naquela tarde verde na sanduicheria tudo tivesse sido eliminado. Valerá a pena sofrer para prevenir-se do sofrimento?

Sei que há muito ainda a ser dito, gastaria madrugadas tentando dizer e ainda assim não diria. Porque o que eu quero dizer é vem cá, que tá me dando uma vontade de chorar. Não faz assim, não vá pra lá. Meu coração vai se entregar à tempestade... Mas eu digo foda-se e choro sem alarde.