sexta-feira, agosto 22, 2003

sobre a febre
Por que não nos mobilizarmos para algo que realmente faça sentido? É essa então a nova sociedade? Tão vazia de ideais e despolitizada que precisa inventar razões imbecis para se reunir? Como um futuro comunicador, penso que isso seja, no mínimo, de assustar. Vendo essas pessoas sorrirem, visualizo a sociedade americana, totalmente influenciável, burra e alheia ao que se passa ao seu redor. Apesar do crescente acesso à informação, cada vez menos se lê jornal, se informa do que está acontecendo. Encorajar um ato desses é endossar essa alienação. Já tivemos um dadaísmo e foi suficiente.





Cabalístico
Há exatamente um ano, um mês e um dia atrás eu criava este blogue. Muito choro, muita baboseira, enfim, muitos caracteres depois, cá estou. Sinto que evolui bastante, tanto no que diz respeito a mim mesmo como ao meu escrever. Me vejo crescido, amadurecido. Narcisismo?
Sei que esqueci de comemorar na data, mas ainda assim, não acharia ruim receber os presentes atrasados... Caridosos podem me contatar aqui e eu darei o endereço para envio. Gracias.



Nunca me despedaço porque nunca estou inteiro
AndyWarhol

Está valendo a pena visitar o Centro Cultural do Banco do Brasil. As duas salas estão ocupadas por grandes mestres norte-americanos (sim, eles também fazem coisas boas, de vez em quando). Na nova sala, Keith Haring. Na antiga, Andy Warhol. Fugindo dos monitores da exposição, eu e minha afilhada ficamos discutindo nossas impressões sobre o que os quadros queriam nos dizer. Tenho pra mim que é tão válido quanto o que o Keith queria dizer. Carregados de traços fortes e simples, símbolos gráficos, traços de tinta escorrida e enorme tensão sexual, os enormes quadros de Haring são ao mesmo tempo provocativos e infantis. Saímos, os dois, arrebatados. Daí para o Andy. Parece que sua câmera polaróide tem a fantástica habilidade de transformar pessoas em bonecas barbie. As fotos retratam desde objetos, como sapatos, passando por celebridades como Liz Taylor, até desconhecidos, vide série das drag queens. Mas o que vale a exposição mesmo são as frases, transcritas de fitas-diário do artista.

Does the president of the United States ever feel out of place? Does Liz Taylor? Does the Queen of England? Or do they always feel equal to anyone and anithing?
a.w.


quinta-feira, agosto 21, 2003

auto-ajuda.
1. FaÁa refeiÁıes balanceadas e somente nas horas certas (almoÁo cafÈ, janta e, talvez, um lanche pela tarde ou manh„). Mantenha uma cota di·ria de legumes e frutas e uma cota semanal de porcaria (carboidratos, massas, fast-food).
2. Leia, no mÌnimo, um livro por mÍs. Jornal, diariamente (nem que seja sÛ as manchetes na vers„o virtual), pelo menos um.
3. FaÁa sexo regularmente. Sem ser promÌscuo(a).
4. Busque diferenciar algo em sua rotina. Mude regularmente o seu caminho para o trabalho, faculdade ou para onde quer que v·, por exemplo. Se vai sempre de carro, v· de Ùnibus uma vez ou outra. Se vai de Ùnibus, v· a pÈ, ou de bicicleta.
5. Esporte. Pratique moderadamente. Encontre alguma atividade que goste e a pratique no mÌnimo trÍs vezes por semana.
6. Lazer. V· ao cinema, ao teatro ou ‡ alguma exposiÁ„o pelo menos uma vez na semana, alternando entre as categorias citadas.
7. N„o deixe que o tempo te esmague. FaÁa uso moderado do Ûcio criativo.
8. N„o se deixe dominar pelo Ûcio. Se perceber que est· muito ‡ toa, procure atividades produtivas para preencher seu dia.
9. N„o leia livros de auto-ajuda. Acredite em vocÍ mesmo e estabeleÁa suas prÛprias metas.

Se conseguir cumprir essas metas, estarei me auto-ajudando imensamente...


quarta-feira, agosto 20, 2003

Feliz dia do orgulho lébisco!


Parabéns atrasados, meninas, e a todas as outras asas sumidas e encontradas.


terça-feira, agosto 19, 2003

Como nunca, me senti um universitário. Não aquele engodo, pronto para fazer uso de palavras bonitas e empombadas que me fizessem parecer inteligente. Discuti um texto em sua complexidade. Mesa redonda. Este semestre exijo mais de mim mesmo. Exijo o mínimo, o básico. Universitário.





Domingo. Marcadíssimo.



segunda-feira, agosto 18, 2003



August, 18th. Happy birthday, dear. Love ya.



domingo, agosto 17, 2003

Mais uma vez, PirenÛpolis. Ela e essa outra, minhas companheiras de viagem, superaram minhas expectativas. Conseguir arrastar minha comadre para a cachoeira È um triunfo do qual me orgulho. EspÌrito revigorado, como sempre que vou l·. Mas a volta, conturbada, me arrastou direto para o Dulcina, assistir a peÁa do meu xar·. PlÌnio Marcos, nÈ, quero dizer, forte. Adoro uma porrada no estÙmago dessas. Mas uma coisa que me incomoda È o uso excessivo de palavrıes. Porque, porra, todos nÛs usamos 'palavras chulas' no nosso dia-a-dia, eu que o diga. Porque ser· ent„o que no teatro elas tendem a matar a naturalidade e parecer fora de contexto? Raras foram as vezes que eu ouvi alguÈm dizer um palavr„o numa peÁa e meu ouvido n„o deu aquela gemida por dentro. Vamos aos elogios. A ambientaÁ„o no subsolo do Conic ficou *perfeita* para a peÁa: sujeira, pixaÁıes, funk. AtÈ dispensaria a sonoplastia extra l· atr·s. Nada contra o AbaetÍ, adoro ele, mas nem precisava. Adoro quando nada È escondido do espectador, quando est· tudo ali, na nossa cara. … o sonzinho ali do lado, sabe, È a l‚mpada na nossa cara. Nada de supermegaefeitos engabeladores. Sinceridade pode ser uma excelente ferramenta. Palmas para o trabalho dos dois (jovens, porÈm talentosos) atores. Penso que foram capazes de criar personagens bem construÌdas, bem delimitadas. O que me passou È que cada um conhecia a fundo sua personagem, a ponto de saber como reagiria em qualquer situaÁ„o dada. PorÈm, houve momentos em que eu vi as personagens desparecerem. Poucos, sim, mas houve. Isso vale para os dois. Um olhar que denunciava, uma m„o, pequenas coisas. Mas eu senti a ausÍncia da alma da personagem no palco. De repente, o ator se despia. Isso t„o subjetivo ao ponto de que, se me perguntasse, eu n„o saberia dizer em qual momento aconteceu. De um modo geral, gostei do espet·culo. E como eu adoooro ver peÁa boa. A verdade È que h· tanta porcaria por aÌ que me brocha ficar tentando. N„o, n„o posso desistir. Teatro de qualidade È melhor que qualquer droga. Qualquer. Bota aqui na minha veia, bota...



Tchau. Ah, e obrigado. Muito obrigado.