sábado, julho 26, 2003

Aproveito minha última noite só em casa e ensaio umas palavras em voz alta pela sala. Antes de cair na Gandaia. Sinto um amor por mim mesmo, uma valorização de mim como há muito não sentia. Narciso que se cuide. Ou Narcisa. Hoje eu quero sair e dançar. Muito.


quinta-feira, julho 24, 2003



Depois de limpar minha lambança, recebi minha afilhada e minha comadre para estrear minha mais nova chapa de waffle. Graças à receita americana da Malala, ficou uma delícia. Tirando o fato de que agora tem mais louça pra lavar.



a preguiça não compensa ou o dilúvio

Pia cheia. Duas opções: lavar a louça ou reinstalar a máquina-de-lavar-louças desplugada desde o racionamento. Claro que o esperto aqui optou pela segunda opção. Achei um registro na área de serviço e fechei-o. Munido de uma chave inglesa e muito bom humor, desenrosquei a tampa e começou a jorrar água. Merda!, pensei. E tratei de ir enroscando a mangueira da máquina. Eis que consigo quebrar a peça e a água tornou a jorrar. Desesperado, vasculho toda a cozinha e a área a procura de um outro registro que acabasse com o dilúvio. Estava a ponto de apelar e ligar para os meus pais em Pirenópolis perguntando onde diabos ficava a porra do registro. Tive então a brilhante idéia de ligar para o porteiro.

Alô?
Alô? Seu Antônio?
Não, ele não está. Posso ajudar?
Sim, é que está jorrando água na minha cozinha inteira e eu não acho o registro. O senhor por acaso não sabe onde fica, sabe?
Não. Peraí um minutinho que eu vou já chamar o Seu Antônio. Pére aí, tá?

[áááááágua]

Seu Antônio?
S-sim?
Oi, é o Artur. É que está jorrando água na minha cozinha inteira e eu não acho o registro. O senhor por acaso não sabe onde fica, sabe?
Ma-mas... P-p-péra a-aí? Tá, tá j-jorrando muito?
O chão já tá todo alagado. O senhor sabe onde fica o registro?
E-eu mesmo, não. E-eu, não. M-mas tem um bombeiro a-aqui e-e ele j-já já vai subir, sim?
Ah, tá.

[áááááááááágua]

Seu Antônio?!
S-sim?
Cadê o homem, Seu Antônio?!?
J-já tá subino, j-já tá subino.

[áááááááágua]

[campainha]

Oi, moço.
Vixi! Só um minutinho...
Moço, onde o senhor vai?
Ali no banheiro.
Banheiro?!
Sim, fechar o rigistro. Espere aí!

Resultado: além de ter de lavar a louça, tive que pegar um pano-de-chão e um balde e secar e lavar toda a cozinha. Prometo não mais tentar brincar de bombeiro hidráulico. Prometo.



Os Dois. Magos, os dois. Superpoderosos. Os dois, óbvio. E viviam lançando ameaças de feitiços um no outro. Você não sabe do que sou capaz. Não me provoque ou transformo sua bunda em presunto. Sempre nesse jogo do porvir. Não saíam de casa, com medo do outro perceber alguma agitação. Falei que eram vizinhos? Falei não? Eram. Moravam numa montanha. Os dois. Ficavam fazendo fumaça em suas lareiras apenas para que o outro visse o quanto suas poções eram potentes. Fumaça verde, azul, roxa lareira afora. É, eles tinham lareira. Os dois. Até que um dia o mais novo pegou uma gripe. Gripezinha comum. O outro veio logo casa adentro trazer um xarope e recebeu um feitiço que o transmutou num macaco. O macaco (na verdade, era um mico. Mico-leão, sem ser o dourado, o outro, o preto) pegou sua varinha bateu três vezes no chão. Cai um relâmpago justo onde o outro mago, o gripado, estava sentado e ele também vira macaco, digo, mico. E os dois micos juntaram as duas casas e viveram o resto de suas vidas de mico felizes. Até o dia em que chegou uma macaca e eles a comeram. Fim.


quarta-feira, julho 23, 2003

gueime naite
Cerveja, cigarro e tabuleiro. Quer combinaÁ„o melhor?


terça-feira, julho 22, 2003

Então, Brasília. Ontem, praia no Caldeirão do Inferno, que de inferno só o nome mesmo. Digo, chegamos e só a gente mais uma popozuda tomando banho de sol. E era só de sol que tava dando pra tomar banho. Só de colocar o dedo do pé na água o corpo chacoalava todo. Uns mil e trezentos metros dali, a Cachoeira do Lázaro. Eu e meu pai botar os bofes pra fora e amaldiçoar o cigarro na subida toda. Mas deu certo. Chegamos lá, tomamos coragem e entramos na água. Quando percebemos estávamos nadando numa geleira na Antártida e as bolas doíam pra caralho enquanto tentavam entrar no corpo. Voltamos para encontrar minha mãe na praia, já então lotada, parecia Ipanema, tinha que ver. Depois de um tempo a gente acostuma com a temperatura gélida e fica melhor (leia-se: o corpo perde o tato). No caminho de volta me vem um cara e pergunta se ele ainda está muito longe da cachoeira. Apenas uns duzentos metros depois de onde ficam os carros. Estou com crianças, diz, enquanto ri amarelo. E as 'crianças' exaustas eram dois pirralhinos com pinta de mimado cada um segurando a mão do pai. A menina tinha na cintura uma daquelas bóias redondas. Cara, tá afim de bundar e fazer nenhum esforço, vai numa porra de um parque aquático beber ceverja e mijar na piscina. Anyway. Descemos a serra e fomos almoçar num restaurante novo, um dois feijão com arroz. Comidinha caseira de deixar qualquer bistrô no chinelo. Mas estou feliz de ter voltado à capital. Afinal de contas, também sou um rapaz urbano.


domingo, julho 20, 2003





Mais uma vez, PirenÛpolis. Gozado È que toda vez que eu venho pra c· o povo daqui j· vem com um Sumiu, hein! e o povo de BrasÌlia De novo? Eu adoro piri e tava mesmo com saudade e precisando estar aqui. Botar o pÈ descalÁo na terra e me sentir inteiro de novo. Piegas, eu sei, mas È como me sinto. e nem vou ficar me infurnando em frente a essa tela muito tempo. Deixa isso pra metrÛpole. Vou ir me sujar de barro mais um pouco pra depois ir numa cachoeira limpar. Bom domingo!