sexta-feira, maio 02, 2003

Eu estava bem. Eu tinha um plano. Terminar Harry Potter. Até que mamãe chega de viagem com mais um livro do Calvin e Haroldo. Irrresistível. Para tirar minha atenção do Plano. Calvin é apelação, pô. Genial, o rapaz, genial.






Pequenas sugestões e receitas
de Espanto-Antitédio para
senhores e donas de casa

XI

Compre manteiga. Passe-a nos dedos. (Esqueça-se de
Marlon Brando.) Chupe-os. E diga em tom de oração:
que vida solitária, meu Deus. (Contenha-se.)

Hilst, Hilda
      in Contos d'éscárnio : textos grotescos / Hilda Hilst. - São Paulo :
Globo, 2002. - (Obras reunidas de Hilda Hilst)



quinta-feira, maio 01, 2003

E pra quem ainda não sabia, eu sou mocinho frívolo Harry Potter Lover. Ou iéis. Estava ansiosíssimo para o lançamento do quinto livro, Harry Potter and the Order of the Phoenix. Até que Rindu me lembrou da fabulosa idéia de piratear livros inteiros. Dito e feito. Downloadei inteiro, imprimi e estou me deliciando. Nem levando em consideração que estava lendo outros três livros maravilhosos. São eles: Elogio da loucura, de Erasmo de Rotterdam; o Deus das Pequenas Coisas, de Arundhati Roy; e Contos d'escárnio|Textos grotescos, de Hilda Hilst. Eu não aprendo, mesmo. O negócio é acabar logo com meu HP pirateado e voltar às leituras, uma de cada vez.


quarta-feira, abril 30, 2003

Mais reflexão gerada pela viagem. Não quero nunca ter esse diálogo abaixo.

Eu já fiz teatro, quando era adolescente.
Ah, foi, tio?

Na verdade, tenho que fazer por onde. Mas as Musas da Preguiça e do Esquecimento são tãããão sedutiiiivaaaas... Ainda assim, não constituem uma desculpa plausível. Tenho que levar essa bunda branca (marquinha de sol, pô. fraca, é verdade, mas nem o sol escaldante do Rio é capaz de me queimar tão rápido) de volta ao palco. Já!


segunda-feira, abril 28, 2003

Princípios

- Jorge!
- Olá, Geraldo.
- Quanto tempo, rapaz!
- Poizé.
- Tudo bem contigo?
- Tudo.
- Pô, tô te achando meio pra baixo, não?
- Talvez.
- Que isso, Jorge! O que a vida andou lhe aprontando, hein? E a Vilma, como vai?
- Poizé. Acabou.
- Como assim, acabou? Acabou acabou?
- Acabou acabou. Nos divorciamos.
- Cacilda! Faz tempo isso, Jorge?
- Um pouco mais de mês.
Engasgo
- Pô, que merda, Jorge. Mas me diz, o que que aconteceu, rapaz?
- Foi por causa da cebolinha.
- Da cebolinha?
- Isso, da cebolinha. Vilma sempre foi muito seletiva no que diz respeito à comida. Fresca, mesmo. Eu, mais do que qualquer outro, posso dizer. Implicava com tudo, absolutamente tudo. Em criança, não importava o esforço que seus pais fizessem, elas não comia se houvesse qualquer vestígio de legumes. Meus sogros, coitados. Anjos. Tentaram psicologia reversa, conversa, terapia, espancamento. Nada. Vilma era capaz de detectar um pedacinho de pimentão no filé mignon, por menor que ele fosse. E eu, como sabes, sou um chef respeitado.
- Reconhecido nacionalmente, Jorge. Na-cio-nal-men-te!
- No início do casamento, eu brincava, me divertia em vê-la dispensando as saladas e pulando direto ao prato principal. Vilma, apesar de tudo, tinha, ou tem, sei lá!, um bom paladar. Sabia, sabe! Sabe reconhecer um bom sabor. Mas o que era brincadeira se tornou uma obsessão. Eu não aguentava mais almoçar com ela. Todo dia eu passava mal no almoço, comecei a ter úlcera, olhe só você. Desde então só comíamos em horários distintos, ordens médicas. Doutor Eustáquio, Santo Doutor Eustáquio. E o nosso casamento pareceu melhorar.
- Ainda estou intrigado com a tal cebolinha...
- Paciência, Geraldo, eu chego lá. Foi no casamento da Joana, lembra da Joana? Ex-mulher do Barbosa, lá do Senado?
- Me lembro, claro que me lembro. Ela casou de novo, não é? Pois me lembro bem. Não pude ir por conta da maldita gripe Ana Paula Arósio. Ai, maldita...
- Pois então, no casamento. Eles serviram um almoço. Não sei pro que diabos, também, servir almoço em casamento. Normalmente, eu não comeria, deixaria para outra ocasião. Dr Eustáquio. Mas éramos padrinhos. Vilma era, é amiga do noivo. Quando soube da saia justa, fiz questão de verificar com a buffeteira se não haveria nenhuma espécie de legumes no prato de Vilma. Estava tranquilo, comendo alegre um risoto razoável, quando vi de relance Vilma futucar seu prato e arremessar um pedaço de alguma coisa por baixo da mesa. Cebolinha.
- Ah, a cebolinha...
- Vilma nunca foi boa em camuflar suas escapadas. Fiquei fulo, rapaz. Puto, mesmo! Como um corno bufante. Agarrei o vestido de Vilma, catei o montinho de cebolinhas embaixo da mesa e enfiei goela abaixo, no meio de todos os convidados. Um vexame, um vexame.
- Logo você, Jorge. Não consigo imaginar.
- Pra você ver, Geraldo, para você ver. Nunca mais vi Vilma. Contratei um advogado amigo meu que levou e trouxe papéis e resolveu tudo logo, sem grandes complicações. Mas desde então eu não faço nenhum prato que não contenha cebolinha. Nenhum. Nem mesmo os doces. Razoável, não acha?
- Por demais. É tudo uma questão de princípios. Cebolinha já é demais.



Sobre o sonho
Eu e vovó no avião da Gol, minha barriga dando voltas. E a aeromoça descolada-simpática vinha Aceita amendoim e barra de cereal, senhor? Presssssão no ouvido que chega doeu. Rio de Janeiro emerge do mar de algodão. Descida brusca na pequena pista do Santos Dummont. Mal saímos do aeroporto e milhares de papparazzi querendo nos filmar e fotografar. Por sorte, o Novo Secretário de Segurança do Estado, Chico Bento, passava por ali e conseguimos fugir dos holofotes. Ainda bem. Cruzamos com Bussunda e filhinha quando paramos para lanchar no Chaika. Parada rápida, troca de roupa e simbora pro CCBB para a Grande Estréia. Sou suspeito para falar, eu sei, mas a Peça está simplesmente fantástica. Uns arrepios, espasmos de felicidade ao assistir. Texto, figurino, cenário, iluminação, atores, material gráfico, tudo de primeira. Aliás, foi a única coisa de que falamos por esses três dias. Chega a ser difícil tratar de outros assuntos, me vêm referências da Peça a todo instante. Até minha titia (que agora virou pontocompontobêérre - chique) só vi rapidinho, e porque ela foi ver a Peça. Consegui ao menos dar uns mergulhos no mar, ainda que com medo de virar isca de tubarão. E essa história de medo de tubarão muito me lembrou sedotec, que até agora lamento não ter encontrado. Nos falamos pelo telefone na quinta, e só. Enfim, ontem acordei e voltei pra casa num TamVarig noturno, que feriu bem menos meus tímpanos. E estou adorando esse clima fresquinho, sequinho de Brasília. Chega de calor úmido. Só lamento estar longe e não poder ver a Peça pela quarta, quinta vez. Loucura.


domingo, abril 27, 2003

Volto pra Brasília como quem acorda de sonho bom. Saudade do sonho, mas com aquela sensação boa de acordar de bom humor. A peça do titio dispensa comentários. Estou fazendo lobby pra que eles venham ao CCBB daqui. Depois falo com mais detalhes de tudo. Agora, nove.