sábado, abril 12, 2003

Come away with me me embala mais uma vez enquanto procuro postar. O tempo no sábado é paradoxalmente curto e eterno. Vou sair de novo hoje à noite, embora não esteja muito empolgado para tal. Mas sairei, sim, vítima quase catatônica dessa minha busca incessante por alguém. Torcer para que eu me divirta, independentemente de 'pegar' alguém ou não. Torcer para não me permitir entrar na paranóia, para que eu seja capaz de abstrair. Na verdade, só espero não provocar sofrimento martírico bem próprio da minha pessoa pra lá de pedante. Quero sair e sorrir.   Quero ser engraçado e irônico sem que isso seja falso. Quero parar de querer tanto. Quero ser. Anyway. Another saturday night, and I ain't got nobody...



A lixa pousa imóvel sobre o resto de esmalte na unha gordinha. O olhar ultrapassa o horizonte. Ela dá mais uma dentada no sonho, lambe o açúcar do dedo e volta a lixar a unha. Pega aquele chumaço rosado de algodão, mergulha no vidrinho de acetona e retira o esmalte que os dentes não conseguiram. Até então, a menos que se conte Geraldo, o gato, não falou com ninguém do acontecido. Termina de engolir o sonho, inclusive aquela porção de creme amarelado que restava no guardanapo. Limpa a boca e joga fora guardanapo, chumacinhos de algodão manchados e algumas pseudo-correspondências. Saca um vidro de esmalte cor púrpura n° 25 e um palito de madeira envolto por algodão limpo embebecido de acetona e se põe a pintar as unhas. Gordinhas, ainda. Nove e vinte e dois, estampa verde-fluorescente o relógio digital. De sobressalto, ela termina grotescamente de pintar a mão direita e se põe a organizar a casa, como quem se prepara para sair. Noveevinte, Deusmeu, noveevinte! Borra um dos mindinhos numa estúpida toalha que incovenientemente se pôs no seu caminho justo agora. Nove e vinte e cinco. MinhaNossaSenhora! Enfia desengonçada o vestido e se atrapalha para tirar o cabide de suas costas. Já fora do apartamento, calça as sandálias e tenta enfiar o enorme chaveiro dento da bolsinha minúscula, enquanto aquela droga de elevador não chega. Mas não tem por onde. Vai se atrasar. De novo.


sexta-feira, abril 11, 2003



Tá, nem é aniversário dela. Mas ela é a minha tia querida, ela veio ao meu blog e me pediu. Pediu, não, implorou. E comigo é assim, chorou, ganhou. Mas não se empolguem não. Não sei até quando o meu websaco vai durar.





Se não pode vencê-los, junte-se a eles.



quinta-feira, abril 10, 2003



Sempre fui muito frustrado por não saber desenhar. Até o dia em que eu convenci a mim mesmo que saber desenhar não era ser capaz de reproduzir coisas verossimilhantes, mas sim ser capaz de exprimir de forma gráfica meus sentimentos. E comecei então a produzir coisas das quais me orgulho. O negócio é ir brincando de pintar e descobrindo novas técnicas.





Tudibom, Ana. Muita paz, saúde e coisas verdes pra você.



quarta-feira, abril 09, 2003

No meio daquela interminável partida de Biriba, D. Albertina se lembrou dos cães. Da ração que não havia dado. E a água já precisando trocar. Dejetos de cachorro por todo o tapete persa de mamãezinha. Porque Antônio jamais iria se preocupar com os malditos cachorros. Iria aproveitar a deixa e ordenar mais uma vez que ela se livrasse dos seus cinco poodles queridos. Ela se lembrou das inúmeras dores de cabeça e orgasmos fingidos no lado esquerdo da cama. Foi mais longe, praquele seu pretendente. O Geraldo, coitado.
Bati! - Disse D. Guilhermina, que contava sorridente os pontos pensando onde diabos teria deixado cair seu outro brinco.





mais do regresso ao maternal



a pedidos

Aproveitando esse meu repentino entusiasmo com o tal do agátêêmeéle, bolei um novo leiaute tosco. Drika parece ter gostado, vejamos o que os outros toscos vão dizer...




Friducha


Adorei o filme. Não conhecia a história toda da Frida Khalo. Mulher guerreira, pintava pra caralho, agia como bem entendia. Gostei também do enfoque dado às suas aventuras homossexuais. Geralmente esse tipo de abordagem é tratada como algo além do normal, grande. Em Frida, todas as vezes em que a personagem se envolvia em relacionamentos lésbicos era como se ela estivesse indo beber água, ou comer. E a estética do filme é bastante fiel à dos quadros dela. Definitivamente é um bom filme. Sem entrar no mérito do premiozinho chulé que andou recebendo aí...



Chris me disse ontem que eu entrei numa sala de computadores onde ela estava e eu nem percebi. Ela nem pra se identificar, mas n„o vou entrar nesse mÈrito. A verdade È que eu sÛ a conhecia - ao menos atÈ hoje - por foto. O fato de eu ter entrado naquela sala e enfiado o nariz na tela sem perceber as pessoas ao meu redor me deixou intrigado. Principalmente porque, ontem mesmo, fui a um outro laboratÛrio de inform·tica e fiz a mesma coisa. L· pelas tantas eu desviei um pouco o olhar da window eletrÙnica e percebi que ao meu lado - ao meu lado - estava uma conhecida minha. N„o È alguÈm com quem eu tenha muito contato, mas sei o nome. Fiz que n„o vi e meti de volta o nariz. Depois de tanto tempo, falar com a pessoa, assim? Depois de uma auto-bronca - Artur! Com essa cara de pau que tu tem, vai deixar de falar? Vira, d· pelo menos um oi.

Oi, Yvi.
Hehe. Oi, tudo bom?
N„o tinha te visto aÌ.
Pois È, nem eu. Que coisa, n„o?

…, que coisa.


terça-feira, abril 08, 2003

Dá até gosto olhar pra tela e ver meus sentimentos traduzidos em imagem. Branco, clean, equilibrado. Não sinto mais aquele desespero claustrofóbico habitual. Sou como uma balança, pesos equivalentes em cada prato. Que se numa prova eu tirei êmeême, na outra rolou um ésseésse e a média é tolerável. Veremos as outras três. E o coração, aquele que eu já tinha aposentado, pulsa a batidas conscientes. Nada de taquicardias, mas feliz, sabe? Resolvendo primeiro aqui no peito antes de se projetar em outras telas. E eu todo bobo, não canso de ouvir elogios e ficar elogiando a mim mesmo pelo templeite novo. Obrigado aos que vieram ajudar a inflar meu ego, by the way.



Seremos quem realmente somos, mesmo sabendo que excesso de sinceridade é falta de educação.


Adoro essa teia de relações bloguísticas. Nos gera saldos muito positivos. Um comentário no blog da nanda e o cara vem comentar no meu também. Delícia de blog. Daqueles que ganham link instantâneo.


segunda-feira, abril 07, 2003

Purgação. [Do lat. purgatione] 1.Ato ou efeito de purgar(se); purificação.

Já não era sem tempo. Finalmente meus escassos atributos de webdesigner conseguiram criar algo que eu mesmo aprovasse. Como eu me sinto nesse espaço-entre, purgatório será. E isso não é nem bom nem ruim. Só o é, simplesmente por sê-lo. Purgatório é algo que simboliza um porvir, um futuro. Purificatório.


domingo, abril 06, 2003

Tenho planos para uma mudança radical por aqui. Mas a minha total e completa inexperiência com agátêemeéle dificulta muito o processo. Alguma coisa ocorre entre o momento em que eu formulo idéias e o momento em que tento, tento transcodificá-las em algo condizente com esse emaranhado de letras e números. Um dia, quem sabe...



Artur abre o editor de posts e tenta formular algo coerente. Mas as palavras fogem, as idéias se misturam, ele não consegue se exprimir.
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Devo falar sobre a festa de ontem? Nah, falar o que? Não quero mais nenhum post sobre solidão, ou sobre a falta de inspiração. Sabe, devia era acabar com esse blog. Não tenho produzido nada de útil ultimamente, se é que já produzi algo que prestasse aqui. Só faço é me desviar do que realmente importa. Mas o que seria isso que realmente importa? Existe algo assim? Sei lá, as minhas prioridades estão todas meio fora do lugar, mesmo. Calma, Artur, se organize. Pense. A pergunta é: o que postar? [...] Eu nem preciso postar. Posso não postar nada. Mas aí fica aquele post de sexta, que já não representa mais meu pensamento. Quer dizer, representa meu pensamento de sexta. Aquele é o Artur de sexta. Já não teve Artur de sábado. E o de domingo, como fica?
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Apaga mais uma vez a linha e desconecta-se.