sexta-feira, abril 04, 2003

Chivas
Ele caminhou devagar até a cozinha. Encheu mais um copo de água. Tomou dois goles e meio e deixou o resto de copo na pia, junto com a pilha de louça de, pelo menos, uns cinco dias. Jogou fora as bitucas de cigarro que entulhavam um dos três cinzeiros da casa. Não conseguia encontrar o seu favorito - aquele de vidro azul que ganhou de algum ex - desde aquela festa uns dois ou três meses atrás. A casa parecia não o pertencer, como antes já o pertencera. Era como se a familiaridade imbuída nos objetos fosse falsa, vazia. Até mesmo as fotos sorriam amarelo pra ele. Vasculhou mais uma vez a agenda de telefones. Ninguém com quem ele quisesse falar. Nenhum dos 300 números na memória do celular, tampouco. A sexta-feira só não era completamente solitária porque ainda restava um pouco de Chivas. Um pouco. Logo ele teria que sair para comprar mais. Entregariam em casa? Se ao menos ele não tivesse queimado a lista telefônica. Não, ele não iria sair naquela noite. Nem mesmo para arrumar um uísque companheiro. Repassava o que havia dito no telefonema de madrugada. Havia lacunas no seu discurso. A memória é traiçoeira. Ele nunca tinha sido bom com esses assuntos sentimentais. Não sabia o que dizer, engasgava. E os infindáveis segundos de silêncio. Mas gostaria que não tivesse magoado tanto o Gustavo daquele jeito. Ele o amava, de fato. Resolveu abstrair tudo e apanhou as chaves do carro. Quando abriu a porta disse a si mesmo que deveria tomar coragem e passar na casa do Gustavo. Que se dane, pensou. Mas sabia que não iria muito além da loja de conveniência.

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Adoro contos que não tem começo nem fim. Símbolos de um momento no cotidiano de uma personagem. Mas sei que a maioria dos leitores deste blogue medíocre nem vão ler esse meu conto daí de cima. Que se dane, pensou Artur. É um conto medíocre, mesmo.



poste
sexta
sinto
alÌvio
(in)explic·vel
ora
vejam sÛ
bons bocados
de ‚nimo
e um naco
de saco

viva
o
s·bado
!




Phew. Acabaram as provas e aqueles diabinhos na minha cabeÁa j· comeÁam a sossegar. Promessas a mim mesmo que n„o mais serei simulacro de aluno e n„o deixarei para ler tudo na vÈspera. Ser„o cumpridas? Sabe Deus... Me sinto mais aliviado, quanto a isso n„o h· d˙vidas. O fim de semana j· comeÁa colorido.


quinta-feira, abril 03, 2003

visão impressionista do interior de um carro na megalópole paulista






Recebi hoje este imeio de um leitor-anônimo-até-então. Já de cara gostei do nome. Arthur pede que eu divulgue a peça dele. Eu não assisti, logo não tenho nenhum parecer a respeito. Enquanto eu me decido se me sinto honrado ou invadido pelo imeio, vão assistir a peça. Pelo menos vale o texto do Plínio Marcos. Aproveito para recomendar o filme homônimo, que é muito bom, com destaque à atuação da Débora Falabela.


quarta-feira, abril 02, 2003

Finalmente retirei aquela foto dos homens se agarrando. Já incomodava há algum tempo. Não pareço nada com alguém que teria aquele tipo de foto no blog. Ou pareço? E não é de hoje que a frase-título deste blog me irritava. Desgraça pouca é bobagem. É nada. Ô, ditadozinho horroso. Mas como me falta coragem para mudanças mais drásticas, um remendo took place. Meu olho e meu novo slogan já me satisfazem. O cheiro de podre começa a se dissipar na fumaça do incenso. Novos fluidos. Esoterismo pouco é bobagem.



purgatÛrio. setas para todos os lados e eu nem sei qual deve ser solucionada e qual descartada. logo h· de se achar um caminho mais nÌtido. uma coisa È certa: chega de desgraÁa.


segunda-feira, março 31, 2003

Fazia muito tempo que eu não fazia isto, sair pulando feito macaco de um blog pro outro. Essa safra de desenhistas que blogam é realmente muito talentosa. Vale a pena conferir. Abaixo elenco os top de linha, mas se estiver com tempo/saco saia abrindo os links deles e tenha, como eu, ótimas surpresas.

fofysland :: ilustralounge :: nonlinear



Afe, provas. Luta mental para não ser um simulacro de aluno. Segunda-feira estranha essa. No mínimo atípica. A famigerada síndrome de Garfield não está se manifestando como costuma.