sábado, janeiro 18, 2003

Eu danÁando com a minha tia-avÛ, minha prima tendo os pÈs pisados pelo meu tio-avÙ. Nat King Cole nos embala da caixa de som. Minha avÛ com o olhar perdido, sentada na cadeira de rodas. Cena de um filme q eu n„o pensava q iria encenar. Nunca pensei q veria aquela mulher forte, teimosa e apaixonante perder sua lucidez. Foi t„o de repente... Eu quero acreditar q ainda existe esperanÁa dela voltar a si e comeÁar a brigar pq o travesseiro n„o est· do jeito q ela queria. Mas a sensaÁ„o È de q ela morreu um pouco nessa quinta-feira, quando parou de fazer sentido. Ela parece saber o q dizer, mas n„o sai como ela queria. Sai CadÍ o meu Ùnibus?, isso quando ela n„o inventa palavras q n„o existem, palavras q lembram sua lÌngua de origem, o Idish. Ela lembra da gente, reconhece as pessoas, mas N„o est· f·cil, como ela fica a repetir... N„o È sÛ a troca. Ela realmente tem lapsos. E eu dei graÁas por ter ficado horas ouvindo as mesmas histÛrias q j· tinha ouvido milhıes de vezes, sÛ pra grav·-las em fita k7, durante os jogos de baralho. HistÛrias de gente humilde q largou a PolÙnia e conseguiu fugir dos nazistas. HistÛrias de milit‚ncia, desde os seus treze anos, j· no partido jovem comunista. HistÛrias de coragem, companheiros contra a "revoluÁ„o". Criar trÍs filhos e ser largada pelo marido com nada alÈm de dÌvidas. Essa mulher fant·stica, um touro, fr·gil como uma crianÁa, chorando e gemendo de dor. DÛi, mas vamos levando. EsperanÁa.



Tirar o pijama azul-marinho e ir com papaimam„eeirm„prÈadolescente ali no Xique-xique comer carne de sol, macaxÍra, feij„o-verde, paÁoca, arroz e moita manteiga de garrafa. E vcs fiquem aÌ quientinhos babando, oquei?



E eu aqui achando q era o cheiro do p„o em si! Cheiro de saco de papel... No dia em q acabarem com o saco de p„o eu ficarei velho e ranzinza. Pl·stico, uma das maiores pragas desse sÈculo...


sexta-feira, janeiro 17, 2003



H· tempos eu n„o ia ao cinema ver coisa boa. No Rio eu sÛ vi coisinhas bestas e frÌvolas q gosto de assistir de vez em quando, sÛ pra sair um pouco da minha realidade. o cinema È uma das minhas drogas favoritas. Almodovar È realmente genial, e eu e minha amiga de inf‚ncia nos fizemos ontem ‡ tarde. Gosto dessas viagens malucas do cara, lances sexuais afloram. Ele brinca um pouco com o q È doentio e o q È "normal", j· estamos cansados de saber q esses conceitos se misturam e deturpam com grande facilidade. Viajei na histÛria da psiquiatria, em q o pai da moÁa pergunta ao Benigno Qual È o seu problema? Gozada essa neura de q a pessoa precisa ter um problema a ser curado para ir ao psiquiatra. Nenhum, responde Benigno. D· pra reparar a ironia do nome, tambÈm. Benigno. Ali·s, temos aqui em BrasÌlia um sÛsia do Benigno. Eu n„o parava de atormentar a lu: Nossa, mas È igual ao Max! Muito impressionante a semelhanÁa. Envelhece um pouquinho o Max e vira o ator todinho... Fora isso, outra coisa q impressionou muito foi o filme mudo, El hombre minguante. Coisa de gÍnio... Nem a cena do Caetano, q achava q fosse me irritar. Passou tranquila. Enfim, amei o filme. PrÛximo da lista: O Filho da Noiva. Antes q o Cinemark Academia pare de exibir.


quinta-feira, janeiro 16, 2003

Para n„o canalizar minhas energias nesse Ûdio, para q ele n„o me consuma - deus, pareÁo um guru de quinta... Vamos falar de fÈrias. Primeiro, teve o Rio. Rio de Janeiro. Conheci muitas pessoas maravilhosas. Mas quero falar um pouco mais de duas em especial. Quero falar dessa coisa maluca q È amizade virtual, q sÛ fui conhecer atravÈs desse vÌcio chamado blog. Ali·s, È um meio estranho de ser conhecer alguÈm, È especial. Vc acaba entrando na intimidade, no cotidiano da pessoa. Eu j· conhecia o Junior e a Paula, em um nÌvel diferente q a internet e o - burp - Blogger propiciam. Aissiquiu ajuda muito, tambÈm. Mas nada q possa substituir o contato e a vivÍncia q tive com essas pessoinhas. Estranho, estranho. Conhecer a Clarah foi definitivamente uma experiÍncia marcante. Uma cyberstar, por assim dizer, cujo livro sÛ fui ler depois de conhecÍ-la pessoalmente, o q tb foi interessante pacas, afinal È uma espÈcie de autobiografia. Isso sem falar nos bons momentos q tive com meu casal de amigas lÈbiscas, Ana e Dani, e outros amigos q vieram no pacote. E de repente me vi ilhado nesse meio internÈtico, acessando todos os dias pelo lindo-porÈm-lento iMac do titio. SaÌ de tudo isto quando fui ser ilhado novamente, dessa ver pelo mar. FlorianÛpolis. A dezoito horas de dist‚ncia, minha famÌlia e amigos dos meus pais. Muito sol, praia, frutos-do-mar... Vivi intensamente o perÌodo diurno, tanto quanto vivi intensamente a noturno no Rio. Tudo q fumei em ares cariocas abstive em ares catarinenses. Termino em BrasÌlia a carteira de Carlton comprada ainda na Barra da Tijuca numa parada estrat·gica de sedotec no caminho pra rodovi·ria. Foi bom curtir os opostos. E foi melhor ainda aproveitar esse tempo com meus pais e meus irm„os. Sei q sentirei falta desses tempos um dia. Ali·s, cabe aqui uma pequena pausa para outra an·lise q tenho enquanto estou lendo Azul do Filho Morto, do Mirisola. Minha famÌlia, em toda a sua loucura e escracho, È normal. Sim, n„o existe aquela fachada de normalidade, assumimos nossas insanidades e ent„o estamos equilibrados. Amo minha famÌlia, incluindo aqui tb primos, tios e avÛs. E minha avÛ, q est· nessa de internaÁ„o e bal„o de oxigÍnio. Um cagaÁo... Ai, n„o quero entrar aÌ. Acho q a maior vantagem do tempo fora foi reavaliar tudo de outra perspectiva. Isso e o pique novo q eu estou pra comeÁar o ano novo. Vontade de me dedicar mais ‡s coisas, ler mais, estudar mais, malhar mais, me preocupar menos com coisas q n„o est„o ao meu alcance. E lutar para q esta vontade n„o passe.



E descobri q RogÈrio, meu inteligentÌssimo orientador, um renomado sociÛlogo, lÍ este blogue! R·! Esbarrei com ele e Natuza na saÌda do cinema (ali·s, Hable con Ella È sensacional!) e ele despeja a notÌcia:
Tenho acompanhado seu blogue. Est· muito bem escrito...
Putz! Bom, pelo menos ele elogiou meu "di·rio p˙blico virtual". Vou pedir uma an·lise sociolÛgica. Ai, q meda! Talvez seja melhor n„o...
”-bÍ-Èsse: A puxaÁ„o de saco acima È totalmente sincera. Adoro esse cara!



Nem tudo pode ser perfeito... Pra acabar com um pouco da minha alegria de voltar ‡ BrasÌlia, chega logo, n„o uma, mas duas multas! Queria q todos os deuses amaldiÁoassem o DETRAN... Duas multas no mesmo mÍs, no mesmo lugar, ‡ mesma velocidade. ”dio!


quarta-feira, janeiro 15, 2003

Ah... Dois dias enfurnado num carro e volto a minha t„o amada cidade. …, j· tava morrendo de saudades mesmo. N„o sÛ da cidade, dos amigos, da famÌlia, tudo. … bom estar de volta. Novas forÁas para este 2003 q chega. Vou falar das minhas fÈrias perfeitas quando estiver com mais disposiÁ„o e saco. TÈ.