domingo, abril 25, 2004

sem meias-palavras
mudei. de mala, cuia e cara de pau. agora estou acessÌvel aqui: www.emconstrucao.theblog.com.br.

























quinta-feira, abril 22, 2004

*pessoa,

luigi pirandello, teatrólogo e dramaturgo italiano, responde suas perguntas todas numa única e boba frase.

"sou aquele por quem me tomam"

essas seis palavrinhas são o resumo de uma teoria que parece óbvia, mas é na verdade genial. para pirandello, existem vários desdobramentos de uma mesma pessoa, todos eles igualmente válidos. assim, se acham que eu sou uma bicha louca, sou aquele por quem me tomam. se acham que sou um gênio incompreensível, sou aquele por quem me tomam. se acham que sou um canalha, sou aquele por quem me tomam. sou, inclusive, todos aqueles por quem me tomo. com essa premissa, vou tentar interpretar as suas indagações.

1) Que parte de nós é mais feliz: o eu que somos, ou o eu que nos fazemos ser?

creio que ambos se divertem em confundir nossas cabeças. a felicidade é um conceito abstrato e utópico.

2) Qual a nossa melhor parte? Ou melhor: como ser todo e não partes? (Isso me lembra um papo de Gestalt).

em parte, todo todo são partes. jack, o estripador, adoraria essa sua pergunta. ter consciência dos milhões de fragmentos de si mesm@ é um bom caminho para ser plenamente inteir@.

3) Quando amamos alguém, amamos quem nessa pessoa?

se ama mesmo, ama tod@as. até @s mais insuportáveis.

4) Quando somos alguém, somos quem de nós, e, quem podemos ou queremos ser?

essa eu deixo pro pirandello. sou aquele por quem me tomam. todos eles.

* como a preguiça impera, vou postando aqui textos escritos a outrem. esta é uma carta-resposta à minha grande amiga tise pessoa.


quarta-feira, abril 21, 2004

minha cabeça, a uns duzentos e quarenta por hora. as entranhas pedindo arrego, pinico, sossêgo. mas o polegar opositor aponta sob a têmpora o tele-encéfalo altamente desenvolvido. na escuridão da caixa craniana, inebria-se e regorzija-se com alucinações psicotrópicas. o organismo impulsiona-se em direção a uma ladeira gigantesca, sem possibilidades de freio. sinto esfriar a espinha e me deixo cair. contra o vento, os cabelos dançam livres. livre.


segunda-feira, abril 19, 2004

tipo-tipíco-post-tipo-tem-que-tipo-postar

ela:

Comprei outro dicionário jurídico e estou pensando seriamente em fazer vestibular prá Direito.

Ó, céus - eu me tornei um deles! E agora,
øque hacer?

eu:

só hoje [19.04.04] fui ver.

+++

virou não, marinão.
ilusão.

+++

*pê-ésse:
øcomo pode?
°adoro rimas pobres!
øou seriam podres?
nem fode.*


quarta-feira, abril 14, 2004

Dois copos de ·gua a cada duas horas para uma vida saud·vel. E uma corrida de meia-hora-no-mÌnimo logo cedo. AlÈm, È claro, de uma alimentaÁ„o equilibrada, balanceando fibras, carboidratos, proteÌnas e vitaminas. De fato, nada disso importa. Afinal, de acordo com a resson‚ncia Schumann, com o aumento da resson‚ncia magnÈtica terrestre de 7,83 para 13 pulsaÁıes por segundo, o dia passa a durar apenas 16 horas. Portanto, se algum dia for atropelado por um gigantesco ponteiro de segundos n„o se espante. … a resson‚ncia. Em suma: seja louco, mas com moderaÁ„o.


segunda-feira, abril 12, 2004

o v„o entre o discurso e a pr·tica j· È t„o enorme que parece impossÌvel aument·-lo. o abismo, no entanto, se mostra onipotente. utopias cada vez mais distantes se imprimem em jornais murais, em ofÌcios internos, em e-mails, em discursos oficiais. os ratinhos no laboratÛrio fazem girar suas rodinhas-gigantescas, inebriados com a ilus„o de progresso. alimento-me da minha porÁ„o de raÁ„o e volto pra minha rodinha, com um riso silencioso nos l·bios.



Ajeitou um cabelo rebelde que insistia em n„o se aprumar com os demais. Numa fileira, o moicano se apresentava impec·vel, com os fios vermelho-desbotados apontando o universo. Todos os fios num emaranhado de gel perfeito. Perfeito, exceto por aquele fio, que no espelho se refletia, orgulhoso da discÛrdia causada. E depois de alguns milhıes de passadas de m„o, ajeitadas insistentes, finalmente deu-se por vencido e aceitou o fio fora da ordem. Como algo necess·rio para o bom funcionamento do penteado. E percebeu que È possÌvel enxergar o laranja, mesmo em dia t„o cinza. Se aninhou nesse novelo laranja e dormiu. Sonhou, nuvens cor-de-abÛbora. Pra l· de um universo paralelo onde todas as tardes s„o gren·.


segunda-feira, abril 05, 2004

catequese
J· conheÁo os preceitos, conceitos, todos desfeitos no desfecho. Os valores todos, as novenas, sei de cor. Objetividade, ordem direta, precis„o, simplicidade. Eu j· sei. Mas a lÛgica do aluno robÙ ainda acredita que n„o. N„o foi repetitiva o suficiente. O suficiente. N„o. Precisa mais. RepetiÁ„o, precis„o, coloquialidade. E o simples n„o È simplÛrio, chulo ou vulgar. Ora, mas e se eu quiser ser simplÛrio, chulo e vulgar, porra? N„o pode, diz o livro de regras, o manual de redaÁ„o, os milhıes de bÌblias jornalÌsticas. Monte de frivolidades vazias em si mesmas. JuÌzos de valores, preconceitos ling¸Ìstico-sociais.



ressaca
Bastam os trezentos e cinq¸enta Íme-Èles. Doce ·gua-sanit·ria preta doce, goela abaixo. Gasosa. ReaÁıes quÌmicas involunt·rias fazem e desfazem-se em minutos. Nhame. Gostosa. ¡gua gaseificada, aÁ˙car, extrato de noz de cola, cafeÌna, corante de caramelo IV, acidulante INS 338 e aroma natural. Natural. Nhame nhame. Goela abaixo, rasgando. Raspando as paredes internas de um organismo fraquejado pelas drogas. Droga. Gasosa, gostosa. Explodindo em Íxtase no encontro do acidulante INS 338 com o ·cido g·strico. Bum. Nhame, gostosa.


sábado, abril 03, 2004

Caidando Meloso nada contra corrente em entrevista exclusiva para a Rede Bobo. Ex-gênio, cantor e compositor diz ter prazer em cantar em inglês, numa era de anti-americanismo.

Se debaixo dos saudosos caracóis
daqueles eriçados cabelos compridos
com política na boca e no peito e nos pés
houvesse um vislumbre
ainda que momentâneo
desse homem-capital
donde à luz dos dólares hoje se bronzeia
teria feito o que fez?


Alguma coisa está fora da ordem. Ou não.



Mais que depressa, ao ouvir tocar o sino, desatina a correr pela cidade. E vê o sol brilhando em manhã de sábado. E nuvens brancas fofinhas fofinhas. Intervenções urbanas em túneis subterrâneos. É dia de sorrir. Ainda bem.


domingo, março 28, 2004

Logo eu, que alimento a crença de ser poderoso. Detesto constatar que sou apenas um franguinho solitário. Mendigando atenção. Restrito à auto-satisfação sexual e afetiva. Um trocado, tia?


quinta-feira, março 25, 2004

Minha fé na humanidade é a coisa mais ingênua. Basta o sujeito sorrir pra mim que eu já o considero benevolente. Tenho que me lembrar sempre que lobos também sabem sorrir e adoram uma pele de cordeiro. Infelizmente. Ainda assim, continuo crendo na humanidade. Tolinho.